Quando escrevi esse texto, tinha pouco mais de trinta anos vividos com Deus, baseados e oração, leitura bíblica, idas e vindas à igreja, muitos serviços prestados na “obra”, formação teológica e uma vida de obediência mediana, sem grandes deslizes.
Apesar da “boa performance” em junho de 2012, uma tragédia bateu em minha porta. A família que eu lutei com todas as forças para preservar, desapareceu como um sopro, deixando rastros de destruição. Eu sei o que é a morte da alma, das emoções.
O que é sentir a dor da perda, da traição, do abandono. Dores extremas me mantinham acordada nas madrugadas, gritando silenciosamente diante de um Deus que sempre servi, que sempre acreditei. De repente, Ele permite que coisas injustas e cruéis aconteçam em minha vida Não entendi nada, minha fé quase se esvaiu.
Comecei a escrever cartas diárias para Deus, expressando todos os sentimentos, perguntando os “porquês”. Pedia, suplicava respostas, mas elas não vinham e eu tinha que continuar crendo, tinha que ser uma “boa cristã’, não pecar diante das perdas, ter a mesma atitude de Jó.
Sentia-me como se Deus estivesse me operando sem anestesia e eu gritava: “Pai, diz que está acabando, por favor, pois não suporto mais”. Deparei-me com um livro de Larry Crabb, “Em nome do Pai”, que expressa exatamente o que vivi durante todos aqueles meses.
O autor mostrou empatia quando disse que muitas de nossas orações não são respondidas e nos frustramos por isso. Essa frustração pode ser um sinal de que queremos mais obter as bênçãos do Pai do que um relacionamento com Ele. Isso me levou ao pó, me fez enxergar a filha interesseira que eu tinha sido, mesmo que o interesse fosse nobre.
Mas, no fundo, os nossos desejos mais legítimos se resumem em nos trazer um bem-estar material ou da alma, pelo qual buscamos todos os dias. Preciso querer algo eterno, entender que a vida de Deus dentro de mim basta. Preciso viver essa verdade, não apenas sabê-la. Aprendi a fazer a oração relacional, pois só ela dá sentido aos pedidos, aos agradecimentos.
Decidi continuar me abrindo e dizendo quem eu verdadeiramente sou, mesmo sabendo que não posso esconder nada Dele. Eu me desnudei completamente. Falei das minhas mazelas, das minhas muitas justificativas, de quão injustiçada me senti muitas vezes em que esperei uma resposta e recebi outra. Hoje vejo que o Senhor queria simplesmente me ter, mais do que me dar algo.
Hoje quero que Ele me tenha por inteiro, não importa mais se as bênçãos que almejo irão se concretizar ou não. Quero ser a manifestação da Glória Dele não só nas circunstâncias a meu favor, mas naquelas que são contra mim.
Quero poder chorar no colo do Meu Pai que decidiu me amar incondicionalmente e que não irá se demover dessa ideia, mesmo que eu não consiga ser aquilo que sei que devo ser. Depois de tudoque vivi, decidi diante de Deus que quero me aproximar como nunca me aproximei e ser quem eu nunca fui para tornar-me, finalmente, aquilo que Ele quer que eu seja nesta terra.
Fale com Deus agora e tome uma atitude, de hoje em diante, a partir do que você acabou de ler!
