Esse é um tema delicado que não só tem destruído casamentos atuais, mas minado o relacionamento dos filhos com seus futuros cônjuges. Lamentavelmente, um ditado popular, aparentemente inofensivo tem pautado a vida de muitos casais, inclusive cristãos.
“Existe ex-marido e ex-mulher, mas não existe ex-filho e ex-pai ou ex-mãe”. A bíblia diz, em proporções coerentes, exatamente o contrário. Deus planejou o casamento para ser eterno, e planejou o relacionamento pais e filhos para sofrer uma alteração de importância quando estes estabelecem uma nova família.
Estamos tão envolvidos com os padrões mundanos que nem notamos. A realidade é que a relação conjugal está cada vez mais efêmera, sendo o divórcio algo natural, e a relação entre pais e filhos está cada vez mais patológica, onde, em nome de um “vínculo eterno” aparentemente inofensivo, tem gerado filhos dependentes, sem autonomia e maturidade para formarem um novo lar.
Esclareço que esse assunto não se esgota em poucos parágrafos e nem é minha intenção fazê-lo e eu compreendo que os filhos precisam de mais cuidados que os cônjuges, especialmente na infância e adolescência. O que, num casamento entre pessoas normais e saudáveis, ambos dispensarão esse cuidado e atenção sem maiores desgastes.
Porém, essa necessidade de atenção e cuidado não pode ser confundida com a autoridade dos filhos dentro de um lar. Logo, sempre que eu me referir a necessidade dos cônjuges se voltarem um para o outro e nutrirem esse relacionamento como o que deve ser eterno, não significa que devem ignorar os filhos ou privar-lhes de afeto.
Apenas significa que os filhos são como flechas que serão lançadas, por isso não podem ser autoridade nas decisões, e nem serem vistos como um patrimônio de um dos cônjuges. Tais atitudes tornam a família disfuncional e minam o relacionamento conjugal.
Há mães que ignoram seus cônjuges e decidem tudo com os filhos. E há pais que fazem tudo para agradar os filhos, mas em nada se esforçam para surpreender positivamente suas esposas. Há filhos que mandam na casa e manipulam o casal. E há pais que não vivem seus casamentos e se ocupam com a vida dos filhos já criados, querem escolher a profissão, o cônjuge, os amigos, o nome dos netos.
Sogros imaturos têm sido mais responsáveis por divórcios do que qualquer outra interferência externa. Um casamento sadio precisa entender essa hierarquia e o plano de Deus para o casal e para o relacionamento entre pais e filhos. Isso acontece desde o início, quando se decide onde colocar o berço.
Os pais devem impor limites aos filhos para torná-los autônomos e prepará-los para partir rumo ao seu relacionamento com seu futuro cônjuge, sem volta.
No dia do casamento, alguns pais dizem: “Filho, você sempre terá seu lugar em nossa casa, seu quarto continua aqui”. Não há algo tão maldito como essas doces palavras. A falta de observação desse ciclo da vida planejado pelo próprio Deus tem sido a causa da maioria das feridas emocionais entre as gerações.
Fale com Deus agora e tome uma atitude, de hoje em diante, a partir do que você acabou de ler!
